Quer aprender? Crie um blog
Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? O enigma levou Mayara Ferreira Ciriaco, de 14 anos, aluna de uma escola pública da periferia de Araxá, em Minas Gerais, a melhorar seu desempenho escolar. Como? Depois de pesquisar em sites, entrevistar especialistas por e-mail e participar de listas de discussão, ela montou um diário on-line - ou blog - sobre o assunto com a ajuda dos professores e do Instituto Ayrton Senna. Suas notas melhoraram e seu interesse pela escola aumentou. Mayara e outros milhares de alunos e professores descobriram que os blogs são um poderoso instrumento para o ensino.
Com os blogs, os alunos vêem que o resultado de seu trabalho não fica guardado em pastas. "Adorei o fato de outras pessoas terem visto o que fiz", diz Mayara. Segundo Marlene das Dores, que implementou o projeto de blogs quando era diretora da escola em Araxá, a freqüência dos alunos aumentou. Os que participaram, segundo avaliação feita pelo Instituto Ayrton Senna, melhoraram sua expressão escrita e verbal, venceram a timidez e hoje mostram mais vontade de pesquisar, têm mais interesse em estudar e apresentam uma visão crítica do mundo. "Alguns chegam a discordar do professor sobre assuntos expostos em aula", diz Marlene.
Plugados, crianças e adolescentes de hoje acabam se identificando com o professor blogueiro, pois o mestre que está ali para ensiná-los também está disposto a aprender no mesmo universo virtual em que eles adoram navegar. Nos 1.351 blogs de professores hospedados no Portal Educacional, os docentes colocam exercícios, gabaritos de provas, desafios, mapas e ilustrações. Com isso, não precisam mais perder horas corrigindo provas ou carregando pastas e mais pastas. O professor de Química Telson Melentino Júnior, do Colégio Max, em Cuiabá, Mato Grosso, aposentou o site que mantinha desde 2000 para aderir ao blog. "Eu pagava a um técnico para fazer as atualizações. Com o blog, não dependo de ninguém", diz.
Embora sejam uma ferramenta eficaz, os blogs ainda estão distantes da maioria dos alunos. Dados do Censo Escolar de 2005 mostram que apenas 30% dos alunos do ensino fundamental têm acesso a computadores. No ensino médio, é pouco mais da metade. O país está em penúltimo lugar em um ranking da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico em número de computadores por aluno. Aqui, a média é de uma máquina para cada 50 alunos. O recomendável é uma máquina para cada cinco estudantes. Exemplos como o de Araxá mostram que a curiosidade dos alunos e o empenho dos professores podem dar resultado. Depois da criação dos blogs, a repetência dos alunos da rede pública municipal praticamente zerou. Nas outras escolas da cidade, 20% dos alunos são reprovados ao fim de cada ano letivo. O Instituto Ayrton Senna atribui esse resultado à disseminação dos computadores e dos blogs.
“ Existe varias vantagens para um professor criar um blog , entre elas , os alunos estão sempre ligados a internet , e eles tendo um professor que também esta ligado a ela , vão se interessar mais pela matéria. Eles podem comentar , trocar ideias , e podem ver suas notas também. “
Entrevista com Stewart Mader – Wiki in Education
Contos da Escola: Como a figura do professor se transforma na era digital?
Stewart Mader: Hoje, mais do que nunca, temos abundância de informação a fácil alcance. Conseqüentemente, o papel dos professores mudou, de uma fonte limitada de informação aos estudantes, para um orientador do uso de toda a informação que está disponível para qualquer assunto.
É possível professores que não se interessem por tecnologia terem sucesso no uso de wiki como ferramenta de trabalho?
A pessoa tem de entender o valor do uso da tecnologia acima das dificuldades ocasionais, investir tempo para desenvolver tarefas colaborativas em seu wiki que sejam úteis aos estudantes, que tenham um propósito em um curso acadêmico. É preciso gostar de tecnologia e ser interessado em usá-la para gastar seu tempo e energia com isso. Há também um outro ponto de vista: Eu vi pessoas céticas mudarem de opinião após o uso do wiki. É simples, não requer muito tempo para aprender e os deixa rapidamente aptos a começar o trabalho, o que é importante. Assim, o wiki é visto como uma ferramenta que não demora a provar seu valor.
É muito comum os alunos brasileiros copiarem o conteúdo da internet sem qualquer edição ou verificação. Isso acontece nos USA também? Como os professores de seu país estão lidando com isso?
Isto acontece nos Estados Unidos, e muita gente vai dizer que a razão para isso é que os estudantes são preguiçosos. Eu penso que a razão real é que as atividades propostas não desafiam os estudantes o bastante, e eles reconhecem isso. Então, devolvem às atividades o mesmo respeito que receberam. Alguns professores penalizam os estudantes por copiar, mas eu acho que esse não é o ponto.
Por exemplo, se eu tiver de ler um capítulo para fazer um resumo, eu me sentiria entediado e desperdiçando meu tempo, afinal é a mesma coisa que cada estudante de minha classe vai fazer. Se fosse dado a esse mesmo capítulo uma página no wiki para que os estudantes pudessem escrever juntos o resumo, eu estaria muito mais animado, e provavelmente não copiaria da Internet. Eu poderia oferecer meus próprios pensamentos à discussão colaborativa. Esse tipo de atividade respeita minha contribuição intelectual, e me dá uma oportunidade de contribuir legitimamente.
" A informação serve para ajudar na formação, tanto de professores quanto dos alunos, aproximando eles para as novas tecnologias . "
NUM MUNDO WIKI, UMA ESCOLA IDEM - PARTE I
Daqueles que já visitaram a Wikipedia ou dela ouviram falar, muito poucos tem claro como é a sua estrutura de trabalho e o quanto ela é revolucionária. Reduzi-la ou somente compará-la a tantas outras enciclopédias existentes retira o que há de mais caro no seu modelo. Perde-se a perspectiva de compreender, reproduzir e reaplicar esta inovação. Neste ensaio pretendo ajudar a esclarecer um pouco mais desta importante ferramenta contemporânea, um fenômeno social raro que não deve ser ignorado por aqueles que pensam seriamente a educação.
Dentre as ferramentas desenvolvidas pelas comunidades de software livre para viabilizar seu modelo colaborativo de desenvolvimento de códigos-fonte, encontra-se o wiki , um modelo de organização e gestão colaborativa de documentos criado por Ward Cunningham em 1994 e que é muito utilizado pela comunidade de software livre para a documentação de programas e criação de apostilas.
De uma idéia para auxiliar a criação de apostilas e manuais em grupo o modelo acabou sendo adotado por Jimmy Wales e Larry Sanger - que já tinham posto em prática a Nupedia um ousado projeto de enciclopédia on-line colaborativa. O sistema original utilizava editores especialistas em suas áreas para validar o conteúdo. Ao contrário deste sistema, o modelo wiki funcionava bem, mesmo não possuindo organização prévia ou controle contínuo dos membros.
Tudo o que foi dito sobre a Wikipedia pode ser utilizado para qualquer wiki ou modelo correlato, mas a Wikipedia com certeza é a experiência mais bem sucedida e a principal desenvolvedora deste modelo de gerência do conhecimento. Seus softwares, documentos e soluções estão disponíveis na MediaWiki livremente, é claro.
" A wiki é um livro digital que contém praticamente todas as informações que se possa buscar. É um excelente instrumento de pesquisa que nos ajuda no dia a dia com facilidade e rapidez proporcionando grandes contribuições na busca de informações e isto não desvaloriza o livro é apenas uma forma diferenciada ao acesso a informação, considerando também que a tecnologia está presente e é importante fazer o uso da mesma que pode contribuir muito para o conhecimento.Foi muito bom conhecer essa nova maneira de nos comunicar onde aprendemos coisas novas e ao mesmo tempo podemos expressar nossa opinião "
WEBQUEST: METODOLOGIA QUE ULTRAPASSA O CIBERESPAÇO
Ferramentas, recursos, metodologias brotam a todo o instante na Internet. Dentre estas
tantas possibilidades apresento uma das metodologias que tenho utilizado, pesquisado e
analisado no trabalho com alunos do ensino fundamental e com professores da rede
pública, e pesquisadores em tecnologia na educação nos Grupos de Trabalho (GTs) das
Coordenações Regionais de Tecnologia na Educação (CRTEs) do Paraná. Descrevo
minhas descobertas e experiências em cada um dos elementos estruturantes
(FERNANDES et al., 2005) (Introdução, Tarefa, Processo, Recursos, Orientações,
Avaliação e Conclusão), bem como, o estado da arte de WebQuests (DODGE, 2001),
nestes quase dez anos em que se utiliza e trata desta metodologia baseada na pesquisa,
utilizando os recursos da Internet, apresentando algumas propostas desenvolvidas no
Brasil, em educação, através da disseminação de Jarbas Novelino Barato do SENAC/SP e
Escola do Futuro - USP. E por fim, desenvolvo e apresento uma proposta de trabalho com
esta metodologia que ultrapassa o ciberespaço, através de lan e paperquests.
" Este mini curso é destinado principalmente a professores e alunos do Curso de Licenciatura em
Matemática que terão a oportunidade de conhecer, construir e trabalhar com uma nova metodologia de ensino
desenvolvida na Universidade de San Diego, na Califórnia, por Dodgie em 1995, que tem como objetivo
fazer da Internet um uso educacional, proporcionando ao professor uma alternativa de abordagem didática
para ser usada no Laboratório de Informática "
UTILIZAÇÃO DE WEBQUEST NA AULA DE MATEMÁTICA
A observação do crescimento do número de informações e dos
aspectos tecnológicos a que os estudantes têm acesso nos dias de hoje faz
com que se reflita sobre a maneira como um determinado conteúdo pode ser
introduzido em sala de aula.
Neste sentido, se tem que em uma aula no qual, o tradicional esquema
é explicar e repetir observa-se uma grande desmotivação e desinteresse por
parte dos alunos, principalmente diante do fato de que já consideram a
disciplina Matemática como sendo um “bicho papão”. Essa falta de
motivação gera indisciplina e também reflete no rendimento escolar.
Chegam a ponto de se contentarem com a nota que represente apenas a
média e estudam apenas para esse fim, não havendo muitas indagações,
buscas e atitudes de saber mais. Fazer com que o aluno se interesse pelo
conteúdo a ser ministrado é uma questão que intriga e tira o sono de muitos
professores. Entretanto, esse mesmo jovem encontra-se inserido em um
mundo que vive um acelerado desenvolvimento tecnológico atraindo seu
interesse em conhecer e utilizar esses recursos que a internet oferece seja
para entretenimento (jogos, filmes, músicas, vídeos) e comunicação (e-mail,
msn, orkut), ou ainda, fazendo pesquisas de seus interesses passando ali
horas e horas.
Muitas propostas para tornar o computador uma ferramenta na
educação no Brasil tem sido tomadas. No estado do Paraná, por exemplo, o
Governo atual, por meio da Secretaria de Estado da Educação (SEED), está
buscando com o Programa "Paraná Digital" e com o Projeto "Portal Dia-a-Dia
Educação" difundir o uso pedagógico das Tecnologias da Informação e
Comunicação - TIC com a ampliação das Coordenações Regionais de
Tecnologia na Educação e com o repasse de computadores, com
conectividade e a criação de um ambiente virtual para Criação, Interação e
Publicação de dados provenientes das Escolas Públicas do Estado do Paraná.
Sendo assim, a Assessoria de Tecnologia da Informação - ATI (SEED), estádesenvolvendo ações que visam levar, por meio de uma rede de
computadores, o acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação - TIC
aos professores e alunos da Rede Pública de Educação Básica do Paraná.
Nessa experiência notou-se também que a interferência do professor
se faz necessária através de apoio, incentivo e até mesmo interferindo e
auxiliando na execução das atividades, tendo em visto que muitas vezes os
alunos se deparam com conceitos ainda não assimilados, o que pode levá-los
a uma desmotivação e abandono da investigação.
" A utilização da webquest como metodologia, nos traz a possibilidade de fornecer aos nossos alunos aulas criativas, dinâmicas e motivadoras. A webquest trata-se de um modelo simples e rico para possibilitar estas ações educacionais na web, sendo a webquest uma investigação orientada com recursos da internet, fundamentada com o pensamento de que aprendemos muito mais com os outros do que individualmente. "
Nenhum comentário:
Postar um comentário